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Emigração Madeirense para a África do Sul


A Emigração madeirense para a África do Sul começou nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial. Há, entretanto, notícia de Madeirenses que emigraram para a Madeira antes disso, mas em número reduzido.
Para escapar às dificuldades da guerra, muitos Madeirenses optaram por emigrar. Um dos destinos mais cobiçados era o Transvaal na África do Sul. Muitos Madeirenses embarcavam nos barcos ingleses que aportavam no Funchal, saíam na Cidade do Cabo e vinham de comboio para o Transvaal, a província onde ficavam Joanesburgo, a capital económica, e Pretória, a capital política. Eram conhecidos por “cabeiros”.
Muitos outros vinham até Maputo, então Lourenço Marques e de lá viajavam para a África do Sul. O Cardeal Teodósio Clemente de Gouveia (1889 – 1962), o primeiro cardeal em solo africano, ajudou muitos Madeirenses a passarem de Moçambique para a África do Sul.
Estes Madeirenses começaram a trabalhar na agricultura, em grandes quintas que alugavam ou compravam em sociedade. Das quintas passaram às lojas onde vendiam a verdura que produziam e delas aos grandes supermercados que muitos deles hoje possuem.
Com eles, Dom Teodósio mandou padres madeirenses, que entusiasmou na Madeira, alguns deles seus alunos no Seminário, para os assistirem espiritualmente. Assim, em 1948, inaugurou a Igreja de Nossa Senhora de Fátima que foi, até 1967, a única Igreja Portuguesa na Transvaal. Depois dessa data foram construídas a Igreja de Santo António dos Portugueses em Mayfair (Joanesburgo oeste) e a Igreja de Santa Maria dos Portugueses em Pretória.
A segunda leva de emigração portuguesa para a África do Sul aconteceu com a independência das colónias portuguesas de Angola e Moçambique em 1975. Largas levas de refugiados portugueses acharam refúgio na África do Sul. Estes eram maioritariamente continentais e técnicos de construção que de operários passaram às empresas de construção, área onde os Portugueses ainda são famosos na África do Sul.
As actividades económicas a que Portugueses e Madeirenses se dedicam: agricultura, comércio, industria automóvel, especialmente oficinas de bate-chapas, construção civil, indústrias de produtos alimentares e de manufacturação diversa. A língua portuguesa é considerada a língua franca dos bate-chapas de Joanesburgo.
Os Portugueses empregam milhares de sul-africanos de todas as raças. Dois terços dos produtos agrícolas comercializados nos três grandes mercados abastecedores de Joanesburgo e Pretória são produzidos por Portugueses.

É muito difícil calcular o número de Madeirenses na África do Sul. Os três Consulados (Joanesburgo, Durban, entretanto extinto, e Cidade do Cabo) apenas registam uns 135.000 Portugueses. Calcula-se que os Portugueses e Luso-descendentes na África do Sul sejam mais de 600.000, a grande maioria dos quais Madeirenses ou de origem Madeirense. Também se sabe que muitos Luso-descendentes não têm nacionalidade portuguesa, o que dificulta uma contagem acertada e actualizada.
A emigração de Madeirenses para a África do Sul praticamente terminou. Verifica-se agora o fenómeno contrário: Madeirenses a emigrarem para outros países, especialmente de língua inglesa.

Padre Carlos Gabriel
insf@ananzi.co.za

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